Editorial

A dança das cadeiras

Nesta semana o prefeito Bruno Covas trocou um dos últimos secretários municipais remanescentes da gestão do ex-prefeito João Doria, que deixou o cargo para assumir o Governo do Estado após vitória nas urnas no ano passado. O demitido da vez foi o secretário de Cultura André Sturm, que dirigia a pasta há dois anos. Para seu lugar foi nomeado o produtor cultural Alê Youssef.

Cada vez mais Covas impõe sua cara na gestão da cidade e evidencia a estratégia em busca da reeleição no próximo ano. A escolha de Youssef para chefiar a cultura da metrópole mostra mais um passo à esquerda do prefeito. O nome escolhido tem um vasto histórico politico-partidário ligado à esquerda. Ele foi coordenador de Juventude na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, que era do PT, depois foi candidato a deputado federal em 2010 pelo PV, participou da criação da Rede Sustentabilidade e do movimento Agora. Conhecido também por ser produtor de eventos noturnos, Youssef é diretor da Associação Cultural Acadêmicos do Baixo Augusta, que tem um espaço na rua Augusta e cuida do bloco carnavalesco que sai na avenida.

Outra troca recente aconteceu na Secretaria Municipal de Esportes. Covas tirou a pasta do PRB, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, e a cadeira foi transferida para o deputado do PSDB Carlos Bezerra, que não conseguiu a reeleição no pleito do ano passado. O tucano é da ala mais progressista do partido, ligado à agenda dos Direitos Humanos.

Quem também foi recrutado para a administração municipal foi o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB), candidato ao Senado derrotado nas últimas eleições. Ele é o novo secretário de Relações Federativas, tendo como responsabilidade articular ações de São Paulo com as cidades da região metropolitana e o governo federal, além de acompanhar pautas relevantes para o município no Congresso Nacional. O tucano é conhecido por lutas ambientais.

Com as novas escolhas, Covas quer mostrar um lado mais social de sua gestão, se distanciando do perfil de João Doria, que quase não dialogava com certos setores ligados à esquerda.

A ‘dança das cadeiras’ no jogo de interesse político segue também nas subprefeituras da cidade. Depois de trocar oito subprefeitos no início do ano, que incluiu Vila Prudente, Mooca e Sapopemba, mais mudanças estão previstas para os próximos dias.

Embora o prefeito afirme que as modificações são naturais e alegue que mantém os compromissos assumidos de quando foi eleito como vice de João Doria para comandar São Paulo, cada vez mais é explicitada a sua estratégia visando o pleito de 2020, quando pretende buscar a reeleição.

Enquanto Covas pensa em seu futuro político, a alta rotatividade nos cargos administrativos acaba travando o andamento da cidade. Para o planejamento, metas, prioridades serem implementadas é necessário muito mais que eficiência, mas também tempo e continuidade, o que não está acontecendo. Quanto mais mudanças na cabeça do organograma, mais demora para a criação, realização e conclusão de projetos. É hora de rever o instituto da reeleição.

5 Comentários

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  • Anônimo 8 de outubro de 2010, 20:24

    Agora temos que torcer para o governador ALCKMIM
    nao esqueca suas promessas de campanha.

  • Anônimo 14 de outubro de 2010, 14:51

    Se o SERRA, vencer agora para presidente, ficará melhor ainda, pois os recursos para São Paulo virão com maior facilidade.

  • Anônimo 15 de outubro de 2010, 14:47

    Uma Pena que quando a prefeitura de São Paulo teve a oprtunidade de fazer, não se concretizou, já que ano passdo vivemos um embate entre a prefitura e a sociedade civil no momento da revisão do plano diretor estratpegico da cidade, contra todo o clamor da população a prefeitura entregou uma revisão á câmara municipal sem uma avaliação e discussão de qualidade com a população, tanto é que diante do fato não houve clima politico para a tal revisão fosse votada pelos vereadores, revisão esta alvo de ações no judiciário, em 2012 é o prazo para a discussão de um novo plano diretor e que esperamos desta vez seja melhor debatido com a população, e não um plano meramente imibiliário.

  • Anônimo 15 de outubro de 2010, 14:54

    O que tem acontecido é o desrespeito ao atual plano, é o caso das tais operações urbanas anunciadas pelo atual prefeito, foram anunciados mais de 4 bilhões em investimento sem uma prévia discussão com a população da cidade e seus impactos.O futuro de uma cidade justa, sustentável, e iunclusiva deve ser discutido com seus moradores e o plano diretor é o instrumento legal para isso.

  • Anônimo 2 de março de 2012, 17:30

    Esta tal de CET (Companhia Engano Todos), a unica coisa que sabem fazer é atrapalhar o trânsito e multar, só isto, e mais nada.

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