Editorial

Bem-vindo ano eleitoral

A Prefeitura apresentou à Câmara Municipal na semana passada, o Projeto de Lei Orçamentária Anual para o exercício 2020, com o total previsto de R$ 68,9 bilhões – 13,8% maior que o Orçamento de 2019. Dentro deste valor total, destaca-se o expressivo aumento de 34,4% nos investimentos previstos na cidade: R$ 7,3 bilhões contra os R$ 5,4 bilhões orçados para este ano. É o fenômeno que acontece a cada quatro anos na Prefeitura, assim como no Estado e no Governo Federal. Falta muita verba durante a gestão, mas com a chegada do ano eleitoral, as administrações conseguem turbinar o investimento em obras, na maioria das vezes visíveis à população.

A Prefeitura justifica que a diferença é fruto dos esforços contínuos da administração no controle de despesas correntes, do combate à sonegação fiscal, da redução nas despesas de subsídios do transporte público, entre outras medidas. Mas, o fato é que a verba surge só agora, após a cidade passar boa parte da gestão Doria/Covas com asfalto lunar. Será preciso muito investimento nos serviços de pavimentação e recape para os paulistanos esquecerem o sofrimento (e prejuízos) de trafegar por São Paulo nos últimos meses. Ainda sobre as ruas, apesar das promessas, não houve revisão do plano cicloviário. Continuamos com ciclovias mal planejadas e sem manutenção adequada.

Na região, provavelmente teremos a inauguração e o início das atividades do Centro Educacional Unificado (CEU) Vila Prudente – obra faraônica iniciada e não concluída na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e que chegou a ser paralisada por João Doria por falta de recursos em caixa. Covas teve o mérito de retomar e está concluindo o imenso prédio. Porém, conforme a Folha vem apurando, para ter aluno no CEU, a Prefeitura está reduzindo as turmas nas escolas municipais dos arredores. Desde o início da construção, todos os especialistas em educação afirmaram que não existia demanda para uma escola pública desse porte na região. Enquanto isso, seguimos sem discussão sobre um centro cultural.

Ano eleitoral faz bem para a cidade, mas deve servir principalmente para lembrarmos de tudo que foi prometido e estará novamente em pauta na campanha como nova promessa.

1 Comentário

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado

Por favor insira um comentário
Por favor informe seu nome
Informe uma url válida.

  • Elizabeth Florido 24 de maio de 2019, 12:05

    Ler um Editorial como esse com “e” maiúsculo, de um jornal também maiúsculo, a despeito da diminuição do número de páginas que o compõe hoje, é ter a certeza que existem pessoas, ainda, preocupadas com a realidade dos fatos e mais, com o que interessa: vida! E o verde reflete isso. Com certeza, não se trata de querer o terreno em sua totalidade, unicamente para uso de lazer, esportes e entretenimento, mas para que haja uma grande área de respiro, que inspire a contemplação do indivíduo ao passar por uma área livre, aberta, que evoca a nossa tenta infância quando se tinha campinhos e os chamados terrenos baldios. Paro por aqui porque o tema demanda discussões, mas bem mais o ato da reflexão sobre tudo isso. Deixo meus parabéns ao jornal, aos editores. Força para continuar em frente!