Editorial

De estarrecer

Uma metrópole do porte de São Paulo, com mais de 12 milhões de habitantes, não pode ser administrada com decisões momentâneas e confusas. Somente nesta semana, os paulistanos se viram às voltas com duas notícias deste tipo partindo da própria Prefeitura.

Na terça-feira, dia 11, muitos servidores foram pegos de surpresa com a informação que teriam uma folga extra nesta semana e outra garantida na próxima. Decreto do prefeito Bruno Covas (PSDB) liberou os funcionários municipais para encerrarem o expediente mais cedo para torcerem pela seleção brasileira de futebol feminino que disputa a Copa na França (leia mais na página 3). Ontem, por exemplo, o expediente na Subprefeitura de Vila Prudente e em outras foi das 8h às 11h.

A decisão do prefeito de prestigiar o futebol feminino tal qual o masculino é válida, porém muitos setores já vêm questionando a mania do Brasil parar a cada Copa do Mundo, diante de tantos problemas econômicos. Além disso, é o tipo de medida que não pode ser anunciada praticamente na véspera. Os milhares de paulistanos que dependem dos serviços municipais devem ser comunicados com antecedência para terem a oportunidade de se planejar.

Ontem a polêmica ficou por conta do rodízio municipal de veículos. Por volta do meio dia de ontem, a Prefeitura divulgou release para as redações informando que a operação estaria suspensa durante todo o dia de hoje por causa da greve anunciada que pode paralisar os meios de transporte. Poucas horas depois e com a informação já propagada por diversos meios de comunicação, o governo municipal resolveu reavaliar a medida e às 17h30 decidiu que o rodízio será mantido. Resta saber se a decisão será sustentada hoje.

Informação concreta, até o fechamento desta edição, é que o expediente nos órgãos municipais na próxima terça-feira, dia 18, será apenas das 8h às 14h. Porque às 16h a seleção de Marta, Cristiane e companhia entra em campo para decidir a permanência na Copa. Desejamos todo o sucesso às meninas do Brasil, que encantam com o futebol. Mas, é confuso a Prefeitura parar em pleno dia útil e todo o resto da cidade continuar na ativa.

1 Comentário

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  • Elizabeth Florido 24 de maio de 2019, 12:05

    Ler um Editorial como esse com “e” maiúsculo, de um jornal também maiúsculo, a despeito da diminuição do número de páginas que o compõe hoje, é ter a certeza que existem pessoas, ainda, preocupadas com a realidade dos fatos e mais, com o que interessa: vida! E o verde reflete isso. Com certeza, não se trata de querer o terreno em sua totalidade, unicamente para uso de lazer, esportes e entretenimento, mas para que haja uma grande área de respiro, que inspire a contemplação do indivíduo ao passar por uma área livre, aberta, que evoca a nossa tenta infância quando se tinha campinhos e os chamados terrenos baldios. Paro por aqui porque o tema demanda discussões, mas bem mais o ato da reflexão sobre tudo isso. Deixo meus parabéns ao jornal, aos editores. Força para continuar em frente!