Editorial

Tucanos voando

Na política é comum dizer que “até boi pode voar”. A locução popularizou-se na campanha civilista pelo discurso de Rui Barbosa. Tem origem em um acontecimento improvável em Recife, ainda na época do domínio holandês, e perdura até os dias de hoje. Se mostra ainda mais atual com a surreal situação da Câmara Municipal de São Paulo. Pouco tempo atrás seria inimaginável a composição da Casa sem uma bancada do PSDB. Eis que, no momento, não há sequer um vereador filiado ao tradicional partido. O PSDB desapareceu.

O fenômeno dos “vereadores tucanos voando” tem a ver com o velho “toma lá, dá cá” da política e a janela partidária – período em que é possível migrar de partido sem perder o mandato. A janela partidária para as eleições municipais de outubro se encerrou na sexta-feira passada, dia 5, impondo nova composição política à Câmara. Ao menos 20 dos 55 vereadores da cidade resolveram mudar para ares mais convenientes.

Em 2016, o PSDB elegeu 11 vereadores e tinha a maior bancada da Casa. No pleito de 2020, foram oito eleitos e continuava como a segunda maior. O rompimento com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que só chegou ao cargo graças ao próprio PSDB, foi decisivo para a debandada, inclusive do vereador Gilson Barreto que era o líder tucano na Câmara e anunciou a desfiliação no dia 2, retornando ao MDB.

Na eleição estadual de 2022, o PSDB perdeu o comando de São Paulo após 28 anos sucessivos no governo. Foi um importante prenúncio do que vinha pela frente, junto com a saída de importantes líderes, como o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (hoje PSB). É cedo para apostar no final. Mas, o PSDB precisará se transformar de tucano em fênix para ser bem sucedido em outubro. A começar por tirar um candidato forte da cartola para concorrer diretamente ao Executivo e buscar outros postulantes para voltar a ocupar cadeiras na Câmara. Vamos aguardar os próximos capítulos.

1 Comentário

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  • Elizabeth Florido 24 de maio de 2019, 12:05

    Ler um Editorial como esse com “e” maiúsculo, de um jornal também maiúsculo, a despeito da diminuição do número de páginas que o compõe hoje, é ter a certeza que existem pessoas, ainda, preocupadas com a realidade dos fatos e mais, com o que interessa: vida! E o verde reflete isso. Com certeza, não se trata de querer o terreno em sua totalidade, unicamente para uso de lazer, esportes e entretenimento, mas para que haja uma grande área de respiro, que inspire a contemplação do indivíduo ao passar por uma área livre, aberta, que evoca a nossa tenta infância quando se tinha campinhos e os chamados terrenos baldios. Paro por aqui porque o tema demanda discussões, mas bem mais o ato da reflexão sobre tudo isso. Deixo meus parabéns ao jornal, aos editores. Força para continuar em frente!