Editorial

Segue a quarentena

* editorial publicado em 29 de maio

Nesta semana o governador João Doria (PSDB) anunciou mais uma prorrogação da quarentena em todo o estado paulista, vigorando de 1 a 15 de junho. Apesar da extrema dificuldade econômica e psicológica de encarar esses sucessivos períodos de isolamento social, os números apresentados pelo governo estadual dão ideia da tragédia ainda maior que estaríamos enfrentando sem o esforço conjunto de toda a sociedade, desde empresários até a dona de casa que está racionando comida e privada de reunir a família. Com o isolamento, em nível abaixo do esperado, São Paulo somava 86 mil casos de Covid-19 até a quarta-feira, dia 27 – quando aconteceu longa coletiva para exposição da situação. Sem a adoção das medidas de restrição, a estimativa é que o estado já acumulasse 950 mil pessoas contaminadas. O abismo entre os números representa 65 mil mortes a menos até o fim deste mês. Outro dado relevante é que no início da pandemia no país, São Paulo respondia por 68% dos casos. Hoje, o populoso estado representa 22% das ocorrências de coronavírus no Brasil.

Conforme prometido, apesar da nova quarentena, o governo não passou mais a tratar São Paulo de forma homogenia, como fazia até então. Regiões onde a situação está menos crítica poderão estudar medidas de flexibilização de algumas atividades comerciais elencadas em cada fase – porém, sempre a critério da Prefeitura local. Ou seja, foi delegada aos prefeitos a missão de definir como será a reabertura segura dos estabelecimentos não essenciais.

O estado foi dividido por cores desde o vermelho, que indica alerta máximo e a manutenção da quarentena rigorosa, até o azul – que nenhuma região chegou perto de alcançar e significaria fase de controle da doença, com a liberação de todas as atividades, ainda com protocolos sanitários.

Nessa divisão, curiosamente a cidade de São Paulo foi classificada como laranja – uma abaixo do vermelho e que ainda significa extrema atenção. Tal colocação está sendo incessantemente questionada e criticada por alguns especialistas, porque no mapa do Governo do Estado a capital paulista é uma pequena ilha laranja cercada de vermelho pelos municípios da Grande São Paulo e da Baixada Santista (veja mapa abaixo).

O prefeito Bruno Covas (PSDB) deixou claro em nova coletiva realizada ontem, que, por enquanto, nada muda na cidade. A partir de segunda-feira, dia 1, o comércio não essencial e outras atividades apontadas na fase laranja ainda não podem reabrir. Porém, conforme os protocolos sanitários forem estipulados e aprovados pela municipalidade, fica difícil entender como a Prefeitura vai conter o fluxo de moradores das cidades vizinhas, inclusive sobrecarregando o transporte público. Da forma como foi definido, o Governo do Estado jogou tremenda responsabilidade sobre a Prefeitura com grande risco de retroceder ao invés de avançar de fase – sempre lembrando que neste jogo são vidas no tabuleiro. Continuaremos, portanto, à mercê de muito engajamento e responsabilidade de cada cidadão para que o arriscado plano anunciado seja bem sucedido e torcendo para que os municípios vizinhos também consigam melhorar seus índices.

 

1 Comentário

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  • Elizabeth Florido 24 de maio de 2019, 12:05

    Ler um Editorial como esse com “e” maiúsculo, de um jornal também maiúsculo, a despeito da diminuição do número de páginas que o compõe hoje, é ter a certeza que existem pessoas, ainda, preocupadas com a realidade dos fatos e mais, com o que interessa: vida! E o verde reflete isso. Com certeza, não se trata de querer o terreno em sua totalidade, unicamente para uso de lazer, esportes e entretenimento, mas para que haja uma grande área de respiro, que inspire a contemplação do indivíduo ao passar por uma área livre, aberta, que evoca a nossa tenta infância quando se tinha campinhos e os chamados terrenos baldios. Paro por aqui porque o tema demanda discussões, mas bem mais o ato da reflexão sobre tudo isso. Deixo meus parabéns ao jornal, aos editores. Força para continuar em frente!