Editorial

Esperança e apreensão

*Editoral publicado em 22 de janeiro

A notícia mais aguardada dos últimos meses foi dada no domingo, dia 17, com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso emergencial no Brasil de duas vacinas contra a Covid-19: a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e a AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a Fiocruz. A primeira dose da Coronavac foi aplicada no próprio domingo em São Paulo e até o final da tarde de ontem, mais de 46 mil pessoas receberam a primeira dose no estado paulista. O público-alvo neste momento são os profissionais de saúde, que atuam diretamente na linha de frente de combate ao coronavírus, e a população indígena.

Apesar de o país registrar um curioso movimento antivacina, o interesse e a expectativa da população diante do imunizante podem ser medidos pelo site Vacina Já lançado nesta semana pelo Governo do Estado. Em apenas dois dias no ar, foram registrados mais de 1 milhão de pré-cadastros.

Dada as boas notícias, cabe-nos ressaltar que a empolgação durou pouco. O Governo Federal não conseguiu até o momento iniciar a vacinação com as doses previstas da AstraZeneca. Com isso, todo o lote da Coronavac foi destinado ao programa nacional e distribuído entre os estados. Por mais que o renomado Instituto Butantan tenha se organizado com meses de antecedência, inclusive para erguer uma nova fábrica para produção da Coronavac, não conseguirá responder sozinho na velocidade que a gravidade do problema exige. Se o Ministério da Saúde não conseguir urgente doses suficientes da outra vacina, o cronograma pode sofrer severos atrasos ou até mesmo a imunização ser suspensa.

Enquanto o Instituto Butantan se dedicava com afinco aos testes iniciados em julho para liberar a vacina, o Governo Federal insistiu em medidas paliativas, como a Cloroquina – cuja administração não é endossada pela Anvisa. Não faltam imagens do presidente Jair Bolsonaro com a caixa do medicamento nas mãos. O mesmo esforço do Butantan foi registrado mundo afora e diversos países conseguiram importar diferentes imunizantes. Por aqui, parece que o Governo Federal só resolveu mesmo investir na questão quando percebeu que aprovação da Coronavac era inevitável. Agora, está na fila enquanto laboratórios priorizaram nações que se planejarem e agiram com antecedência.

Só nos resta torcer para o Ministério da Saúde resolver o impasse e que as doses da AstraZeneca estejam em solo brasileiro o quanto antes. Infelizmente, a desastrada ação (ou falta de) já acarretou atraso na vacinação da população idosa de São Paulo. Havia um cronograma definido para aplicação da primeira e da segunda doses no público acima de 60 anos, mas foi suspenso quando as vacinas previstas para o estado paulista foram distribuídas por todo o Brasil. Sobraram incertezas e muita indignação que pesarão ainda mais sobre o Governo Federal no caso da vacinação ser paralisada ou prosseguir em ritmo lento.

1 Comentário

Deixe uma resposta para Elizabeth Florido Cancelar

Seu email não será publicado

Por favor insira um comentário
Por favor informe seu nome
Informe uma url válida.

  • Elizabeth Florido 24 de maio de 2019, 12:05

    Ler um Editorial como esse com “e” maiúsculo, de um jornal também maiúsculo, a despeito da diminuição do número de páginas que o compõe hoje, é ter a certeza que existem pessoas, ainda, preocupadas com a realidade dos fatos e mais, com o que interessa: vida! E o verde reflete isso. Com certeza, não se trata de querer o terreno em sua totalidade, unicamente para uso de lazer, esportes e entretenimento, mas para que haja uma grande área de respiro, que inspire a contemplação do indivíduo ao passar por uma área livre, aberta, que evoca a nossa tenta infância quando se tinha campinhos e os chamados terrenos baldios. Paro por aqui porque o tema demanda discussões, mas bem mais o ato da reflexão sobre tudo isso. Deixo meus parabéns ao jornal, aos editores. Força para continuar em frente!