Artigos

O que é e faz uma Escola de Excelência?

*Dante Donatelli

A maioria poderia definir a escola de excelência como sendo uma escola bem posicionada, por exemplo, em uma prova pública como o Enem, mas todo e qualquer educador sério sabe que a excelência em educação vai muito, além disto, até porque, como sabemos, por um lado as posições mais altas são alçadas com meios típicos da cultura da malandragem, separando e selecionando alunos para que somente os “melhores” façam a prova, ou pior, se comportando como uma escola seletiva com estratégias tradicionais e repetitivas na qual o aluno é adestrado, mas não educado.
Boas notas, em patamares respeitáveis, acima de 700 pontos já revelam uma escola muito boa, independente de posicionamento em ranking, porém, se tudo se resumir a isso se dá ao processo, o longo processo educacional, um ar simplório e superficial que somente os crédulos no marketing podem acreditar.
Sem sermos levianos buscaremos aqui uma definição mais abrangente do entendemos por excelência educacional. Em um processo que se inicia hoje aos 2, 3 anos de idade e avança até os 17 anos há que se levar em conta um conjunto de fatores e prerrogativas na definição de excelência.
O primeiro ponto de uma escola de excelência é aquela que promove efetivamente a autonomia intelectual do aluno, ou seja, uma escola promotora da capacidade de auto responsabilização dos indivíduos diante de si, das suas obrigações e direitos. Um aluno que saiba o que, quando e como estudar ao deixar a escola não somente se habilita para a vida adulta com pro atividade, mas também, e principalmente, com segurança e responsabilidade diante do mundo do trabalho.
Sujeitos autônomos também incorporam como qualidade básica fruto de uma educação de excelência, o saber pensar, e neste ponto a escola e suas práticas, mais importante que qualquer outra ação, é essencial, pensar é operacionalizar nos alunos capacidades dedutivas imperativas que os façam donos de seus pensamentos e com isso possam entender a realidade e sobre ela operar.
A escola de excelência, diferente daquelas escolas tradicionais que valorizam prioritariamente notas e aproveitamento que possam ser quantificados em valores e láureas para alunos, promove como dissemos, autonomia, pensamento, e, por conseguinte estados criativos que permitem aos alunos serem ousados. E ter ousadia para pensar a si ao mundo fora daquilo oferecido nos diferencia dos medianos que sempre se cobrem de dúvidas, medos e incapacidades de decodificarem o mundo a sua volta. O que desejamos dizer com isso é que a escola de excelência olha para os seus alunos muito além de um punhado de notas e provas que se avolumam durante a vida escolar.
É cômico, se não fosse trágico para educação, lembrar que muitas das grandes cabeças ou grandes executivos do mundo nos últimos cento e vinte anos passaram ao largo da escola de Balzac a Einstein passando por Jobs e a maioria dos CEOs de grandes empresas – a lista seria imensa poucos homens e mulheres em suas memórias tem na escola algo bom a ser lembrado para além de amigos e da ludicidade inerente a idade – as lembranças da escola são todas de exclusão, limitações punitivas e não de excelência.
Historicamente a escola se transformou, mas ainda se debate entre um punhado de mitos e crenças muitas vezes distante do verdadeiro significado do ato de educar. A complexidade de tal ação, em especial nos dias atuais no qual o novo se avizinha da escola não só com tecnologias espetaculares, mas também os seu currículo.
O currículo é hoje o grande desafio da escola e o único meio de se chegar a uma escola de excelência, o que é um currículo? É poder responder, o que ensinar em matemática, português, história enfim em todas as disciplinas escolares, ou o que devem os alunos saber neste ano nesta disciplia. Como este espaço não suporta continuarmos, deixamos a resposta para o nosso próximo artigo – o que ensinar?

*Dante Donatelli é diretor pedagógico do Colégio João XXIII. Formado em filosofia pela PUC/SP, estudou na Sorbonne. Formador pela Universidade do Minho em Portugal. É autor dos livros “Quem me educa? – A família e a escola diante da indisciplina” e “A Vida em Família”.