Artigos

Linha 15-Prata do Monotrilho: uma obra cara, incompleta e insegura

*Paulo Fiorilo

Assim como em outras obras públicas, nos canteiros da Linha 15-Prata do Monotrilho surgiram novas placas de sinalização afixadas pela gestão do governador João Dória. Na era do marketing, uma nova roupagem para velhas e atrasadas obras.

Já se vão 10 anos da assinatura do convênio entre Estado e Prefeitura para a implantação do monotrilho, que ligaria a estação de metrô de Vila Prudente até o bairro Cidade Tiradentes. A promessa era de um sistema de construção mais rápida, mais barata, segura, tão confortável e ágil como o metrô. Promessas que não foram cumpridas.

Em julho de 2010, o consórcio formado pela Bombardier, Construtora OAS e Queiroz Galvão venceu a licitação para criar, fornecer e instalar o sistema monotrilho de Vila Prudente a Cidade Tiradentes.

Em 2014, com dois anos de atraso, o Estado inaugurou o trecho entre Vila Prudente e Oratório. Depois, em 2018, mais quatro estações. Em agosto deste ano, entregou a estação Jardim Planalto e até 2021 a promessa é finalizar o ramal com a inauguração de mais quatro estações: Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus e Jd. Colonial.

Caso o prazo seja cumprido a Linha 15-Prata do Monotrilho será finalizada com seis estações a menos, anos de atraso e a um custo final de R$ 300 milhões por km construído, valor muito próximo ao de uma linha de metrô de superfície.

Além dos problemas de custo e execução, os usuários da linha ainda enfrentam os problemas de operação. Escadas rolantes paradas, horários de funcionamento instáveis, não cumprimento das compensações ambientais, como a pavimentação total da Avenida Anhaia Melo e Avenida Sapopemba, assaltos a passageiros no entorno das estações e até mesmo uma colisão entre trens são exemplos de problemas notificados na linha.

Agora, como atestado de incapacidade, a gestão do governador Dória concede para a Via Mobilidade a operação do monotrilho. O consórcio foi o único interessado no leilão. Serão 20 anos de concessão, um contrato estimado em R$ 4,7 bilhões, com direito a subsídio tarifário do Estado até que a linha atinja o transporte médio de passageiros definido na licitação.

As placas de propaganda do governador Dória só enganam os incautos. A população que acreditou nas promessas de um transporte público de média capacidade para a região já percebeu que, após quase 25 anos de administração tucana, os que mais precisam, definitivamente, não são a prioridade do PSDB.

*Paulo Fiorilo é deputado estadual (PT-SP).