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O exemplo de Málaga para a Mooca

*Eduardo Odloak

Diz a lenda que ao jogar uma moeda na fonte do Castelo de Gibralfaro, em Málaga, em breve você retorna ao mesmo local. Coincidência ou não, no ano 2000 joguei uma moeda na fonte e, em 2002 fui convidado novamente para participar de outro curso sobre Políticas Públicas para a Juventude, organizado pela Organização Ibero Americana de Juventude, naquela belíssima cidade.

Sendo uma cidade portuária, a terra de Pablo Picasso é a sexta maior cidade da Espanha e a quarta em importância econômica. Possui hoje mais de um milhão de habitantes e é a porta de entrada da Andaluzia, com grandes áreas de logística, prédios modernos e a ambição de se transformar em uma importante área da indústria tecnológica da Europa.

Acompanhando notícias desta região, notei que desde 2016 ocorre um importante debate sobre o destino de um terreno com 177 mil m² pertencente a uma empresa de petróleo, que se localiza na região mais árida de Málaga, onde existem apenas 2 m² de área verde por habitante. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um mínimo de 12 m². Uma das opções previstas para o espaço era a construção de arranha-céus, habitações populares, shopping center e um parque. Porém, a população lutou e a cidade fez uma outra opção. Com vistas para o futuro e a necessidade de garantir a melhor qualidade de vida das próximas gerações, o legislativo atendeu o clamor popular e decidiu que a área irá se transformar numa Floresta Urbana, isso mesmo, um pulmão verde no meio da cidade.

Isso me fez refletir sobre uma situação semelhante a que a Mooca vive. Nosso bairro faz parte da região mais árida de SP e possui menos de meio metro de área verde por habitante. Por esse motivo, tem o mais alto índice de óbitos por problemas respiratórios. Se somarmos a perspectiva de se verticalizar e adensar ainda mais as construções, me parece loucura que com um espaço como o “Terreno da Esso”, a implantação de um grande parque não esteja em nossa prioridade. Este terreno possui quase 100 mil m² de área, tamanho semelhante ao do Parque do Piqueri, no Tatuapé. É fato que passou por décadas de contaminação por uma empresa de combustível que ali funcionava, mas, hoje, existe a informação da CETESB de que o local está descontaminado e liberado para uso. Então, temos uma grande oportunidade!

Essa é a única área de grande porte que não está construída em todo o centro expandido da capital. Por que não aproveitar o momento, desapropriar o terreno, investir na qualidade de vida das futuras gerações e transformar essa área num grande pulmão verde referência para a cidade?

É a última chamada para jogarmos uma moedinha na fonte, fazer figa, cobrar os políticos, abraçar o conhecido “terreno da Esso” e conquistar uma grande área verde para toda a região.

*Eduardo Odloak foi subprefeito da Mooca na gestão José Serra e subprefeito da Sé na gestão João Dória.