Centro de Acolhimento na Mooca desagrada vizinhança

Sem alvoroço, divulgação e cerimônia midiática de inauguração, a Prefeitura de São Paulo instalou há cerca de dois meses um Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua em um antigo prédio comercial de sete andares na rua da Mooca, 418, em frente a tradicional escola estadual Professor Antônio Firmino de Proença. Atualmente 120 homens utilizam o espaço, que, segundo os frequentadores, tem capacidade para atender 250 pessoas. A iniciativa do governo municipal causou polêmica entre os vizinhos do imóvel. Um grupo de moradores das proximidades criou um abaixo assinado para a remoção do abrigo do local.

“Sem consulta e comunicação nenhuma começamos a nos deparar com homens descarregando beliches no prédio, que permaneceu fechado por muitos anos. Aos poucos começamos a ver a chegada de vários outros equipamentos e produtos, principalmente à noite. De repente instalaram a placa na fachada indicando um Centro de Acolhimento. A Prefeitura agiu na surdina para os vizinhos não perceberem. Isso foi um desrespeito”, contou o morador da Travessa Alta Floresta que se identificou como Wilson.

Segundo alguns vizinhos, o prédio não possui condição para servir de abrigo. “Esse imóvel ficou fechado durante mais de 10 anos e certamente possui problemas estruturais. As pessoas que estão utilizando o serviço não estão seguras. O local não possui Habite-se, não tem saída de emergência em um eventual caso de incêndio, não tem alvará do Corpo de Bombeiros e há pouquíssimos banheiros para atender toda a demanda, o que é desumano. Como a Prefeitura é capaz de adaptar este imóvel para acolher pessoas?”, questionou uma vizinha que não quis revelar o nome.

Outra preocupação dos moradores das proximidades é com as consequências de um Centro de Acolhimento em meio às residências. “Por enquanto tivemos apenas pequenos problemas, como acúmulo de sujeira nas calçadas, principalmente restos de marmitex, aglomeração de pessoas no final do dia e a falta de cortinas nas janelas faz com que os homens fiquem expostos ao tomarem banho e se trocarem. Mas, com o aumento do número de frequentadores, a situação pode piorar”, completou Wilson, afirmando que há anos a comunidade local solicita a construção de um posto de saúde na região, a qual possui várias escolas e entidades sociais que atendem crianças carentes, mas o pedido nunca foi concretizado.

Os atendidos

A reportagem da Folha conversou com alguns homens atendidos pelo Centro de Acolhimento, os quais elogiaram a iniciativa da Prefeitura. “Há dois meses, quando abriu este abrigo aqui na Mooca, fui transferido da região da estação da Luz. Foi a melhor coisa que aconteceu. Trabalho durante o dia e no final da tarde tenho para onde ir. Está tudo novinho e a promessa é que em breve começarão algumas oficinas, como a de informática, o que irá nos ajudar bastante e o serviço passará a funcionar 24h. Por enquanto o prédio está atendendo apenas metade da capacidade e não é qualquer um que chega e pode entrar. É preciso cumprir algumas exigências da Prefeitura e estar cadastrado no programa municipal”, contou o gari Paulo Sergio Rosa, que contou estar na rua há cerca de cinco anos. “Sou um ex-dependente químico e só consegui me salvar graças ao serviço oferecido pela Prefeitura. Fiquei internado por cerca de oito meses, realizei alguns cursos e hoje tenho um emprego de Gari. Estou em fase de treinamento para começar a prestar serviço à cidade”, concluiu com orgulho e esperançoso.

Questionada, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que a primeira etapa do projeto do CTA foi inaugurada no mês de junho e as próximas etapas devem ser finalizadas até o final do mês de agosto. Foi esclarecido que o imóvel foi cedido para a secretaria e o serviço no local oferece 250 vagas para pernoite, além de refeições, banho e oficinas. O órgão acrescentou ainda que a organização social que gerencia o CTA tem mediado uma série de diálogos com a comunidade vizinha. Sobre as condições estruturais e segurança do prédio, a secretaria não se manifestou.

Passagem em Vila Prudente é esquecida pela Prefeitura

Bastante utilizada por moradores da Vila Prudente, a passagem existente entre as ruas Gino Moneli e Doutor Gabriel Galvanese Amato, conhecida popularmente como Córrego das Vacas, está repleta de lixo, entulho, com mato alto e galhos de árvores cobrindo a iluminação. Segundo a vizinhança, o local é esquecido pela Prefeitura, pois equipes de zeladoria quase não aparecem para realizar os serviços de manutenção. Outro problema relatado é a falta de segurança no trecho, onde acontecem frequentes assaltos.
O morador local Paulo Rogério Sobral conta que a vizinhança está cansada de procurar a Prefeitura. “Este pedaço do bairro está esquecido. Sempre solicitamos limpeza, mais atenção, mas não temos retorno. É muito difícil aparecer gari por aqui. Acredito que por ser uma área de divisa entre as Prefeituras Regionais Mooca e Vila Prudente, um órgão empurra para o outro e não fazem nada por nós”, comenta Sobral. “Quando aparece uma equipe realiza limpeza apenas na metade da viela, pois alegam que a outra metade é de outro Distrito. Acho que eles não sabem que nosso imposto é pago para toda cidade e o trabalho deveria ser realizado em toda a extensão da passagem, sem divisão de Prefeituras”, completa com indignação.
Outro problema citado pela vizinhança é a insegurança. “Pessoas passam por aqui em vários momentos do dia e a noite para usarem droga livremente. Além disso, por conta da dificuldade de acesso de viatura, a polícia miliar não passa neste trecho, o que facilita a ação de bandidos. Devido à falta de poda das árvores, a iluminação pública está encoberta e a escuridão toma conta do local”, contou uma moradora da rua Luigi Ori, que termina na viela em questão.
O que também incomoda e atrapalha os moradores do local é a falta de identificação da passagem. “Há muitos anos solicitamos um nome para esta viela, o que facilitaria muitos serviços, inclusive quando precisamos acionar a polícia, mas nunca nos deram atenção. Infelizmente estamos abandonados”, concluiu Sobral.
A Prefeitura Regional Vila Prudente informou que a limpeza no local é feita periodicamente e um outro serviço foi programado para ocorrer entre os dias 7 e 12 de agosto. Sobre as árvores, foi ressaltado que a última poda foi efetuada em março do ano passado e uma nova vistoria será programada.
O 21º Batalhão de Polícia Militar se comprometeu a intensificar o policiamento no local.

Área pleiteada para parque é novamente declarada de utilidade pública

Os movimentos da sociedade civil que defendem a preservação de áreas verdes na Vila Prudente e Mooca ganharam um importante avanço. Foi publicado no Diário Oficial do Município de hoje o Decreto 57.798/17 do vice-prefeito Bruno Covas, que está na interinidade da Prefeitura, declarando novamente de utilidade pública para fins de desapropriação a área situada na avenida Vila Ema esquina com Rua Batuns para a implantação de parque público. Desde 2009, moradores da região reivindicam a instalação de parque nesse espaço de propriedade da Tecnisa. A empresa pretendia erguer quatro torres residenciais no local.

Há duas semanas, o presidente da Folha, Newton Zadra e representantes do movimento em prol do Parque Vila Ema estiveram com a vereadora Juliana Cardoso (PT) em reunião com o secretário do Verde e Meio Ambiente, Gilberto Natalini. No encontro a vereadora reiterou o pedido de renovação do Decreto de Utilidade Pública (DUP) e o secretário se comprometeu a encaminhar ofício ao prefeito com a solicitação. O processo administrativo de renovação do decreto foi instruído na gestão passada, após o projeto de construção dos prédios ter sido indeferido pela Secretaria Municipal de Licenciamento.

A área já havia sido declarada utilidade pública em 2010, mas a medida expirou há dois anos. Pela legislação, a renovação não pode ser automática, mas teve que cumprir intervalo de um ano. A antiga chácara de imigrantes alemães abriga 477 árvores catalogadas, algumas das quais raras e remanescentes da Mata Atlântica.

O novo DUP tem prazo de validade equivalente ao anterior, ou seja, cinco anos. Para a vereadora Juliana Cardoso, a expectativa agora é pelo indeferimento em definitivo do processo de construção, já que a construtora apresentou recurso. “Com o indeferimento, a área passa a ser classificada como Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM) de acordo com o Plano Diretor Estratégico aprovado pela Câmara em 2014”, comenta. “Como ZEPAM vigoram restrições drásticas para a construção e assim o terreno perde valor, facilitando a desapropriação pela Prefeitura”.

Integrantes do movimento em prol do Parque comemoraram. “A renovação do DUP mostra que a luta não foi em vão e que as autoridades compreendem a necessidade de preservar o pouco de verde que resta na cidade”, afirmou o morador da Vila Ema, Fernando Salvio, que é um dos líderes do movimento.

Estado intensifica vacinação de adolescentes

A Secretaria de Estado da Saúde intensifica, a partir de hoje até sexta-feira, dia 28, a vacinação, com ênfase em adolescentes e pré-adolescentes, para imuniza-los contra o HPV (papilomavírus humano), Hepatite B, doença meningocócica C.

O público jovem foi definido como alvo principal por abranger a fase de proximidade e/ou início da vida sexual e, consequentemente, de maior vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como o HPV e a Hepatite B.

A intensificação ocorrerá das 8h às 17h em 4,3 mil postos de saúde em todo o Estado. No total, serão distribuídas 758,6 mil doses para os municípios paulistas, contabilizando os três tipos de vacina e os quantitativos à imunização de rotina prevista para o mês de julho.

A vacinação contra o HPV está disponível para meninas na faixa etária entre 9 e 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos. Entre o público feminino, a imunização auxilia na prevenção contra o câncer de colo de útero e vulva. Para meninos, a proteção é contra o câncer de pênis e ânus. A vacina previne ainda contra o câncer de boca, orofaringe e verrugas genitais para ambos os sexos. O esquema vacinal compreende duas doses, com intervalo de seis meses para a segunda, para ambos os sexos.

“É fundamental ampliar a cobertura vacinal entre esses públicos. Desde 2014, a cobertura vacinal entre meninas de 9 a 15 anos mantém-se em 61%; entre os garotos na faixa etária de 12 e 13 anos, que passaram a ser vacinados em janeiro de 2017, a cobertura é de 44%. Contamos com apoio dos pais e responsáveis para que nossos jovens estejam orientados e protegidos”, afirma a diretora de Imunização da Secretaria, Helena Sato.

Neste ano, a vacina contra a doença meningocócica C também foi inclusa no calendário de vacinação, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que definiu como público-alvo meninos e meninas de 12 e 13 anos. Atualmente, a cobertura vacinal é de 32%.  A dose é única.

“No inverno, a aglomeração em ambientes fechados tende a ser maior. Imunizar-se contra a meningo C contribui para o controle epidemiológico da doença, transmitida por secreções como saliva, espirro e tosse”, explica Sato.

A Hepatite B, também prevista na intensificação contempla não somente adolescentes, mas todas as faixas etárias – desde menores de um ano até adultos acima dos 50 anos. O esquema vacinal é de três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda; a terceira deve ser aplicada após seis meses em relação à dose inicial.

“A vacina contra Hepatite B está disponível para crianças desde 1998 e, por isso, a maior cobertura vacinal, de 97%, abrange o público de menores de um ano até 14 anos. A partir de 2013, foi estendida a faixa etária de 15 a 49 anos, cuja cobertura é de 55% e precisa ser ampliada, bem como entre a população acima de 50 anos, na qual a cobertura é de apenas 16%, devido à inclusão recente”, detalha a diretora de Imunização.

Prefeitura faz mudanças no CERET e desagrada frequentadores

Devido às diversas melhorias recebidas ao longo dos últimos anos, o Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), localizado no Anália Franco, passou a ser considerado um dos principais espaços públicos de lazer e prática esportiva da zona leste da cidade. No entanto, há menos de um mês, a Prefeitura começou a realizar uma série de mudanças que desagradaram os usuários. Alegando corte de gastos no orçamento, a Secretaria Municipal de Esportes reduziu o número de vigilantes, diminuiu o horário de funcionamento, retirou seguranças do estacionamento da rua Eleonora Cintra e estuda a possibilidade de conceder a gestão da área para a iniciativa privada.

Segundo o ex-diretor do CERET e hoje um dos principais membros do conselho de usuários, Mohamed Mourad, a mudança mais impactante foi a redução do número de seguranças que atuavam no local. “Antes das alterações haviam 17 homens de dia e 11 à noite. Agora há apenas 10 durante o dia e cinco no período noturno. São 13 vigias a menos. Esse corte influencia muito na segurança do equipamento e dos frequentadores”, afirmou Mourad, que em maio deste ano pediu exoneração do cargo de diretor que ocupou por mais de quatro anos. “Senti que era o momento de deixar a função. O que eu precisava ter feito eu consegui. Com ajuda de algumas pessoas conseguimos levantar e dar nova vida a este clube, o qual frequento desde a década de 70. Saí da diretoria, mas nunca vou deixar de participar das discussões sobre a unidade”, completou.

A redução do horário de funcionamento, que na gestão de Mourad era das 5 da manhã à meia noite, e agora é das 6 às 22h, também causou revolta nos frequentadores. “Costumava correr no parque antes das 6h, para depois conseguir ir trabalhar a tempo. Agora fui obrigado a voltar correr na rua”, contou o torneiro mecânico Bruno de Assis, que mora na Vila Diva e entra no trabalho às 7h em Itaquera.

Outra decisão polêmica tomada pela Prefeitura foi em relação ao estacionamento da rua Eleonora Cintra, que chegou a ser fechado no último dia 3, mas foi reaberto no dia seguinte. Antes das mudanças, o local funcionava no mesmo horário do parque e contava com seguranças. Agora o espaço fica aberto apenas das 7 às 18h e não conta mais com vigilantes. O terreno onde funciona o estacionamento é da Prefeitura Regional Aricanduva.

Secretaria se manifesta

Após ser questionada pela reportagem da Folha, a Secretaria Municipal de Esportes informou que, devido à premissa estabelecida pela atual gestão, o corte e remanejamento de gastos é uma abordagem aplicada por todos os setores da Prefeitura, e, a fim de oferecer mais segurança aos frequentadores, foi restringido o número de entradas e funcionários foram redirecionados.

Quanto à segurança, o órgão confirmou que atualmente o centro esportivo funciona com 15 funcionários terceirizados, sendo que 10 atuam no período da manhã e cinco à noite. Além disso, foi ressaltada a parceria com a Guarda Civil Metropolitana, que implantará no espaço o projeto City Câmeras, cujos equipamentos ficam interligados com o sistema de segurança municipal.

Sobre a mudança no horário foi informado que a atual determinação dará maior viabilidade ao funcionamento do espaço, visando maior segurança dos visitantes.

Prefeitura promete retomar obra de UBS em agosto

Na edição passada a Folha divulgou matéria sobre a preocupação da comunidade em relação à obra da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Ema, na rua Gustavo Stach, que está paralisada desde abril por falta de repasse de verba da Prefeitura. Segundo integrantes de movimentos de saúde da Vila Ema, em reunião com representantes da Secretaria Municipal de Saúde ocorrida no mês passado, o órgão informou que a construção apresentava falhas estruturais, como trincas em vigas principais e deformações em pilares de sustentação. A informação alarmou a população local.  Nesta semana, ao ser questionada novamente pela Folha sobre a situação do prédio, sem explicar as constatações apresentada a membros da comunidade, a Prefeitura informou que houve liberação de empenho no valor de R$ 1,2 milhão para a continuidade das obras da UBS e a construção será retomada no início de agosto.

A notícia foi recebida com satisfação pela população, mas também com ressalvas. “A informação da retomada dos trabalhos é excelente. Mostra que nossa luta não tem sido em vão, mas continuamos preocupados com as constatações de falhas estruturais na construção. Será que esses problemas serão reparados? Será que o prédio que já foi erguido não está comprometido? Isso nos preocupa bastante”, comentou a moradora da Vila Ema, Miriam Saques, que faz parte do movimento de saúde do bairro e da comissão de obras da UBS formada por membros da comunidade.

A Folha voltou a questionar a Secretaria de Comunicação da Prefeitura sobre as falhas estruturais constatadas por engenheiros da Secretaria Municipal de Saúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Leia também:

Risco de falha estrutural em construção de UBS Vila Ema

Prefeitura Mooca realiza primeira operação Bar Legal

No último sábado, dia 15, a Prefeitura Regional Mooca realizou uma operação nos distritos sob sua responsabilidade para conscientizar os comerciantes em relação ao programa Bar Legal, criado para orientar e incentivar os estabelecimentos a seguirem a legislação do Programa de Silêncio Urbano (PSIU). 

Segundo a Prefeitura, a proposta visa acelerar a regularização do comércio desde que o responsável firme um termo de compromisso com as Prefeituras Regionais com relação aos horários e barulhos emitidos. Quem aderir ao Programa recebe o certificado com o nome do programa.

Caso o local descumpra o compromisso celebrado, o compromissário perderá automaticamente o selo e os benefícios oferecidos. De acordo com a legislação atual, os estabelecimentos que não tenham isolamento acústico precisam fechar as portas até 1h.

Mais de 30 estabelecimentos foram vistoriados. Entre eles, 25 estavam dentro da legislação, fechados após a 1h da manhã, outros sete receberam os termos de orientação com informações sobre como proceder com a nova proposta.

“O Bar Legal é mais que uma etapa da intensificação do trabalho da Prefeitura no combate à poluição sonora. Ficamos felizes em perceber que grande parte dos estabelecimentos da nossa regional está dentro da lei. De qualquer maneira, vamos seguir com essas ações para garantir o bem estar tanto da população quanto dos comerciantes”, afirmou o prefeito regional Paulo Sergio Criscuolo.

 

Risco de falha estrutural em construção de UBS Vila Ema

Paralisada desde abril por falta de repasse de verba da Prefeitura, a construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Ema na rua Gustavo Stach ganhou novo capítulo. De acordo com integrantes de movimentos de saúde da Vila Ema, em reunião ocorrida no último dia 20 entre representantes da comunidade local e da Secretaria Municipal de Saúde, o órgão informou que engenheiros realizaram uma vistoria técnica na construção no dia 8 de junho e constataram falhas estruturais, como trincas em vigas principais e deformações em pilares de sustentação. A informação está provocando grande preocupação na comunidade.

“Além de falta de verba, agora utilizarão outro argumento para não darem continuidade à obra”, acredita a moradora do bairro Cecilia Margarida, que faz parte do movimento de saúde que há mais de 20 anos luta pela construção da UBS.

Alarmados com a situação, lideranças locais começaram a se mobilizar. “Procuramos o Ministério Público e entramos com um processo. Fomos informados que o promotor responsável está de férias e retornará em agosto. Esperamos que ele consiga fazer algo para que a Prefeitura resolva a questão desta construção. É muito descaso com a comunidade”, declarou Cecília. “A Secretaria de Saúde nos informou que solicitaria uma avaliação de engenheiros mais específicos da Secretaria Municipal de Obras, mas ainda não obtivemos um retorno se aconteceu ou não”, completou.

Quem também está buscando providências é o membro do Conselho Participativo de Vila Prudente, Gilberto Souza Macedo. “Nos próximos dias estarei levando o caso para o Tribunal de Contas do Município e para a Ouvidoria Geral. O que está acontecendo é um grande desrespeito com o dinheiro público. Como é possível descobrirem irregularidades estruturais depois de quase um ano que a construção começou? A Prefeitura não fiscalizou a empresa contratada para realizar a obra? Isso é negligência e omissão”, declarou Macedo.

Indignada, a população local cobra mais atenção da Prefeitura. “Se a obra estiver comprometida e ter que ser demolida, quem irá arcar com o que já foi investido? Se a obra tiver condições de continuar, quem irá pagar pelos reparos para os serviços progredirem?”, questiona Macedo.

Em abril deste ano a Folha fez reportagem sobre a paralisação dos serviços e a Secretaria de Saúde informou que a atual gestão priorizou as unidades em estágio mais avançado de construção. Foi esclarecido ainda que já foram investidos R$ 1,7 milhão dos R$ 3,5 milhões previstos para a UBS Vila Ema.

Nesta semana a reportagem indagou a Secretaria sobre as falhas estruturais e não houve resposta para os questionamentos feitos via e-mail.

Saiba mais

A construção da unidade começou em outubro de 2015 e a previsão da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) era que as obras estariam concluídas em setembro de 2016. No entanto, devido à falta de repasses de verba por parte da Prefeitura, a Guerrero Construtora, contratada para a realização da UBS, suspendeu os trabalhos por duas vezes. A primeira paralisação aconteceu em maio do ano passado e os serviços ficaram suspensos por quase dois meses. Sob a promessa de que ocorreria o repasse de verba, os trabalhos foram retomados, mas, como o pagamento não ocorreu, a construção parou novamente em abril deste ano e permanece suspensa. (Gerson Rodrigues)

Secretário promete empenho na preservação de áreas verdes
Vereadora Juliana Cardoso, o secretário Gilberto Natalini e o presidente da Folha, Newton Zadra

 

Na tarde da última quarta-feira, dia 12, o secretário do Verde e Meio Ambiente, Gilberto Natalini, recebeu em seu gabinete a vereadora Juliana Cardoso (PT), o presidente da Folha e do Círculo de Trabalhadores, Newton Zadra, e o representante do movimento Viva o Parque Vila Ema, Fernando Salvio. Na pauta, reivindicações de implantação de parques públicos nos espaços verdes que restam na Vila Ema e no Jardim Independência. A vereadora tem projetos de lei para ambas as áreas e entregou vasta documentação ao secretário com o histórico completo da luta pela preservação.

Natalini ressaltou que São Paulo precisa ter juízo e proteger o que resta de mata e espaços arborizados, caso contrário a qualidade de vida na cidade ficará cada vez mais prejudicada pelo aumento da temperatura. Porém, ressaltou que a Prefeitura não tem verba para desapropriar terrenos particulares, como as áreas na Vila Ema e no Jardim Independência.

Para o terreno de mais de 16 mil m² na avenida Vila Ema esquina com a rua Batuns, que no passado abrigou uma chácara de imigrantes alemães e ainda possui diversas espécies nativas, ficou acordado que Natalini vai encaminhar ofício ao prefeito João Doria pedindo que ele decrete a área de utilidade pública, o que impede qualquer ação por parte da construtora proprietária enquanto a Prefeitura tenta levantar recursos para desapropriação. O espaço já foi alvo de um Decreto de Utilidade Pública (DUP) que expirou em outubro de 2015 e a legislação determina que não pode ser renovado automaticamente, sendo necessário aguardar pelo menos um ano. Juliana destacou que a gestão anterior já deixou todo o processo encaminhado na Secretaria do Verde.

Sobre o terreno da antiga fábrica da Linhas Corrente na avenida Oratório, Natalini ficou entusiasmado ao ser informado pela vereadora que o grupo proprietário, o Zaffari do Rio Grande do Sul, manifestou interesse em negociar a área por potencial construtivo em outro ponto da cidade. “Quando o proprietário está disposto a dialogar, facilita muito a questão”, ressaltou. Parte da área foi desapropriada pelo Metrô para construção do pátio Oratório do monotrilho, ocasião em que houve a supressão de diversas árvores. Restam 86 mil m² do terreno ainda bastante arborizado.

Na reunião também foi discutida a instalação de um busto para a patrona do Parque Professora Lydia Natalizio Diogo, em Vila Prudente. Newton Zadra explicou que o Círculo arcará com todas as despesas. Natalini afirmou que é favorável a iniciativa, mas precisa da anuência do Conselho Gestor do parque. Por fim, Zadra apresentou ao secretário os ambientalistas Nicola Grego e Emir Marçal, responsáveis por um projeto de reciclagem de sucata de madeira que já funciona no ABC e a intenção é reproduzir nos ecopontos da cidade. Natalini direcionou o caso para uma equipe técnica da Secretaria avaliar se é possível implantar um projeto piloto em uma das prefeituras regionais. (Kátia Leite)

Manutenção do complexo da Taquari não será feita por universidade

Diferente do que foi anunciado pelo prefeito João Doria (PSDB) no último dia 5 e que fez a comunidade acreditar que o complexo municipal da rua Taquari finalmente receberia melhorias, a parceria entre a Prefeitura e a Universidade São Judas Tadeu será concentrada em projetos educacionais ao invés da manutenção do espaço, que apesar de abrigar equipamentos importantes, inclusive a própria sede da Prefeitura Regional da Mooca, está em precária situação.

A reportagem da Folha conversou com exclusividade com o coordenador do Centro de Extensão da Universidade, o professor Edson Martins, que explicou que a instituição de ensino não será a responsável pela conservação do complexo. Deixou claro que a atribuição continuará a cargo da Prefeitura.

“A expertise da universidade é acadêmica. Não temos a intenção de gerir um parque, mas sim criarmos atividades educacionais que possam beneficiar nossos alunos e a comunidade, devido a nossa forte identidade com a Mooca. A área municipal continuará sendo administrada pela Prefeitura e não será a instituição de ensino que fará a zeladoria. Mas, para colaborarmos, poderemos ceder alguns funcionários para auxiliar na limpeza do espaço eventualmente”, explicou o professor que participou das últimas reuniões entre o prefeito e representantes do grupo Ânima – proprietário da universidade desde 2014. “Quero deixar claro que não faremos nenhuma intervenção urbanística ou de engenharia. O que faremos são atividades esportivas, de lazer e educacionais”, completou o professor explicando que os projetos a serem desenvolvidos ainda estão em fase de estudo.

Sobre a afirmação do prefeito de que um Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua seria construído na unidade, o professor afirmou que não há nada acertado neste sentido. “O que faremos é o oferecimento de suporte jurídico, ações de saúde e alfabetização para os moradores em situação de rua que forem utilizar o Centro de Acolhimento que será implantado pela Prefeitura na rua da Mooca”, finalizou.